Os distúrbios do sono tornaram-se cada vez mais comuns . Estima-se que cerca de 72% dos brasileiros já convivam com algum problema relacionado ao sono, um quadro que vai além das noites mal dormidas e impacta diretamente o humor, a concentração, a produtividade e a saúde mental.

Durante muito tempo, noites mal dormidas foram normalizadas como parte da rotina moderna. A pessoa acorda cansada, arrasta o dia com dificuldade de concentração, toma decisões no “piloto automático”.
Quando o sono deixa de ser reparador, ele se torna um problema, pois o corpo começa a dar sinais claros de que algo não está funcionando como deveria.
Distúrbios do sono não surgem de um dia para o outro e raramente se manifestam apenas à noite. Eles afetam o humor, a memória, o desempenho profissional e a saúde ao longo do tempo, muitas vezes antes mesmo de serem percebidos como um problema clínico.
Neste artigo, você vai conhecer os principais tipos, as principais causas e também entender como tratar os sintomas.
Os distúrbios do sono são condições que afetam a qualidade, a quantidade e o horário do sono que o corpo consegue ter à noite. Existem mais de 80 distúrbios do sono, sendo os mais comuns a insônia, síndrome das pernas inquietas, narcolepsia e apneia do sono.
Eles afetam:
As categorias sofreram alterações ao longo dos anos. Recentemente, a Classificação Internacional de Distúrbios do Sono (ICSD) categorizou os distúrbios do sono com base nos sintomas, em como afetam a pessoa e no sistema corporal afetado. Sendo as principais categorias:
Não existe um único motivo. Tais distúrbios costumam ser o resultado da interação entre fatores biológicos, comportamentais, emocionais e ambientais, que alteram o funcionamento dos ciclos sono-vigília.
Entre os principais gatilhos estão a desregulação biológica, estresse, transtornos emocionais, condições clínicas, hábitos e outros. Conheça mais sobre eles:
Os horários irregulares para dormir e acordar, trabalho em turnos e uso excessivo de telas à noite interferem na produção de melatonina e dificultam o início e a manutenção do sono.
Níveis elevados de cortisol mantêm o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento necessário para dormir.
Ansiedade, depressão e outros quadros psiquiátricos alteram a arquitetura do sono, reduzindo fases profundas e reparadoras.
Dor crônica, doenças respiratórias, cardiovasculares, hormonais e neurológicas afetam a continuidade do sono.
Cafeína, álcool, nicotina e alguns fármacos estimulantes ou antidepressivos interferem diretamente no padrão do sono.
Alimentação pesada à noite, sedentarismo ou, ao contrário, exercícios intensos próximos ao horário de dormir dificultam o adormecer.
Fases como gestação, menopausa e envelhecimento modificam a regulação natural do sono.
É importante ficar atento quando algumas situações começam a se repetir no dia a dia.
Se a dificuldade em dormir ou em manter o repouso ocorre mais de 3 noites por semana por 3 meses ou mais, caracteriza insônia crônica e está associada a piora da saúde mental e física. Isso aumenta o risco de ansiedade, depressão e doenças cardiovasculares.
Cair de sono em situações inadequadas (dirigindo, trabalhando, em reuniões) pode indicar distúrbios como apneia do sono, narcolepsia ou hipersonia, condições ligadas a aumento de acidente vascular e queda da produtividade.
Roncos com pausas respiratórias observadas por outra pessoa podem ser sinal de apneia obstrutiva do sono. Esse quadro eleva risco de hipertensão, arritmias e infarto.
Esse sintoma pode acompanhar eventos respiratórios noturnos e exige investigação de apneia ou outras condições respiratórias do sono.
Movimentos repetitivos dos membros ou sensação de “choques” ao adormecer podem indicar síndromes como movimento periódico dos membros ou síndrome das pernas inquietas, ambas relacionadas a pior qualidade do sono e fadiga diurna.
Quando episódios ruins repetem-se e afetam o descanso mental, isso pode estar ligado a ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou outras desordens.
Dificuldade de concentração, lentidão no raciocínio e lapsos de memória associados à má qualidade de sono estão relacionados a alterações na função executiva do cérebro.
O diagnóstico começa por uma anamnese detalhada e avaliação clínica, incluindo história de sono, padrões de sonolência e sintomas associados.
Em muitos casos, essa avaliação é complementada por polissonografia, considerada o padrão-ouro para identificar distúrbios como apneia do sono, movimentos anormais, interrupções respiratórias e outros. Isso porque há um registro simultâneo de parâmetros neurológicos, respiratórios e fisiológicos ao longo da noite.
Além da polissonografia, testes específicos como o Teste das Múltiplas Latências do Sono (TMLS) podem ser usados para investigar hipersonias e narcolepsia, medindo o tempo de início do repouso em cochilos diurnos.
O tratamento dos distúrbios é guiado pelo tipo de condição identificada. Para insônia crônica, a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é recomendada como abordagem de primeira linha, com forte apoio nas diretrizes clínicas por melhorar a eficiência e a qualidade do sono sem dependência de medicamentos.
Em casos de apneia obstrutiva do sono, a terapia com CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) é padrão, mantendo as vias respiratórias abertas durante o sono e reduzindo eventos de interrupção respiratória, embora não cure a condição subjacente.
Mudanças no estilo de vida e higiene do sono, como regularidade nos horários, redução de estimulantes e controle de fatores comórbidos, também são componentes essenciais de qualquer plano terapêutico.
Essas abordagens integradas, clínica, comportamental, tecnológica e, quando necessário, farmacológica, refletem a necessidade de um tratamento individualizado e baseado em evidências para cada padrão de distúrbio do sono identificado.
A privação de sono vai muito além do cansaço pontual: ela compromete funções cognitivas, altera o comportamento e aumenta o risco de doenças físicas e mentais ao longo do tempo. Quando os distúrbios do sono não são reconhecidos e tratados, os impactos podem ser progressivos e, em casos raros, até graves.
Por isso, identificar a causa do problema e adotar a abordagem correta, que pode envolver mudanças de hábitos e, quando indicado, o uso de medicamentos, é essencial para proteger a saúde.
Antes de qualquer tratamento com medicamentos, é fundamental conhecer as indicações, contraindicações e orientações de uso: consulte sempre as bulas dos medicamentos e utilize apenas aqueles recomendados por um profissional de saúde.
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