Insuficiência renal: sintomas, estágios e cuidados essenciais

Insuficiência renal é a condição em que os rins perdem a capacidade de filtrar adequadamente o sangue, eliminando toxinas e excesso de líquidos do organismo. Pode ser aguda, quando surge de forma rápida, ou crônica, quando evolui lentamente ao longo dos anos.

Por Redação Sara
07/04/2026 Atualizado há cerca de 2 horas
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Imagem de homem com insuficiência renal, com as mãos apoiadas em suas costas.

Considerada um problema de saúde pública, a insuficiência renal crônica afeta cerca de 10% da população mundial¹ e, na maioria das vezes, avança sem sintomas, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais importante.

Neste artigo, confira detalhes sobre essa doença, causas, diagnóstico, tratamento e muito mais!

O que é insuficiência renal?

A insuficiência renal é a perda da capacidade dos rins de filtrar adequadamente o sangue. 

Ela pode se manifestar de duas formas principais:

  • Insuficiência renal aguda: surge de forma súbita, em horas ou dias, geralmente por desidratação grave, infecções severas, cirurgias de grande porte ou intoxicação medicamentosa. 
  • Doença renal crônica: evolui silenciosamente ao longo de meses ou anos, causando perda progressiva e permanente da função dos rins.
  • Função dos rins no organismo

Os rins são dois órgãos localizados na parte posterior do abdômen que funcionam como uma central de controle do organismo. Todo dia filtram cerca de 180 litros de sangue, eliminando pela urina resíduos como ureia e creatinina, e reabsorvendo o que o corpo ainda precisa: água, glicose e minerais.

Além da filtração, regulam a pressão arterial, equilibram eletrólitos como sódio, potássio e cálcio, essenciais para o coração e os músculos, e ajustam o pH do sangue, evitando a acidose metabólica. 

Produzem ainda dois hormônios fundamentais: a eritropoetina, que estimula a formação de glóbulos vermelhos, e a vitamina D ativa, necessária para a absorção de cálcio e a saúde óssea.

Principais causas

As causas mais comuns da doença renal crônica são o diabetes e a hipertensão arterial mal controlada. Juntas, essas duas condições respondem por mais da metade dos casos. 

Além delas, infecções urinárias repetidas, doenças autoimunes e o uso inadequado de medicamentos também são fatores de risco relevantes. 

A chamada nefrotoxicidade, lesão renal provocada por substâncias químicas ou fármacos como anti-inflamatórios e alguns antibióticos, é uma causa subestimada, mas frequente.

Sintomas iniciais e avançados

Nos estágios iniciais, é comum não haver sinais. Com a progressão, surgem cansaço, falta de apetite, náuseas e urina com espuma (sinal de proteína na urina). 

Na fase avançada, a retenção de líquidos causa edema, como inchaço nas pernas, ao redor dos olhos e até nos pulmões, além de coceira intensa, dificuldade de concentração e pressão elevada de difícil controle.

Estágios da doença renal crônica

A doença renal crônica é classificada em 5 estágios de acordo com a taxa de filtração glomerular (TFG), que mede, em mililitros por minuto, o quanto os rins conseguem filtrar o sangue. Quanto menor o número, menor a função renal.

  • Estágio 1 (TFG ≥ 90): filtração normal, mas já há sinais de lesão renal, como proteína na urina.
  • Estágio 2 (TFG 60–89): leve redução, ainda sem sintomas. O diagnóstico costuma ser descoberto por acaso em exames de rotina.
  • Estágio 3 (TFG 30–59): redução moderada. Surgem os primeiros sintomas: cansaço, pressão alta resistente e alterações no sangue.
  • Estágio 4 (TFG 15–29): redução grave, com inchaço, anemia, alterações ósseas e acúmulo de toxinas. Momento de se preparar para a terapia de substituição renal.
  • Estágio 5 (TFG < 15): falência renal. Os rins não conseguem mais manter o equilíbrio do organismo, hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante se tornam necessários.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é feito por exames simples: o sangue revela os níveis de creatinina (quando elevada, indica creatinina alta e redução da TFG) e de ureia; a urina mostra a presença de proteína e sangue. 

O rastreamento precoce com esses dois exames é a estratégia mais eficaz para detectar a doença antes que cause danos irreversíveis.

Tratamento: controle, medicamentos, hemodiálise e transplante

Nos estágios iniciais, o tratamento foca em controlar diabetes e pressão arterial com medicamentos, dieta e mudança de hábitos. Com a progressão, pode ser necessário restringir potássio, fósforo e proteínas na alimentação.

Quando os rins perdem mais de 85–90% da função, entra a terapia de substituição renal. A hemodiálise filtra o sangue por uma máquina três vezes por semana, em sessões de cerca de quatro horas. O transplante renal, quando viável, é considerado o tratamento mais eficaz, oferecendo melhor qualidade de vida a longo prazo.

Cuidados essenciais e a importância do acompanhamento médico

Grande parte dos casos de insuficiência renal podem ser prevenidos ou retardado com atitudes simples: 

  • Manter-se hidratado
  • Controlar a pressão arterial e a glicemia; 
  • Evitar o uso prolongado de anti-inflamatórios sem orientação médica; 
  • Realizar exames de rotina, especialmente quem tem histórico familiar de doença renal, diabetes ou hipertensão.

Uma pessoa pode perder até 60–70% da função renal sem sentir nada. Por isso, o acompanhamento com um nefrologista é fundamental para quem já tem diagnóstico ou fatores de risco. Quanto antes a doença for identificada, maiores as chances de preservar a função renal e a qualidade de vida.

E se houver necessidade de medicamentos, lembre-se: ler a bula é fundamental. As bulas digitais de Sara tornam essa consulta mais fácil e acessível.

Referência

1. Kovesdy CP. Epidemiology of chronic kidney disease: an update 2022. Kidney Int Suppl (2011). 2022 Apr;12(1):7-11. doi: 10.1016/j.kisu.2021.11.003. Epub 2022 Mar 18. PMID: 35529086; PMCID: PMC9073222. Acesso em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9073222/