AAS: para que serve, bula, efeitos colaterais e contraindicações

AAS é o ácido acetilsalicílico, um medicamento com ação analgésica, antitérmica, anti-inflamatória e antiplaquetária, usado para dor, febre e prevenção de eventos cardiovasculares, conforme orientação médica.

Por Redação Sara
05/05/2026 Atualizado há 4 dias
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Imagem de uma pessoa consumindo um comprimido de AAS.

Você provavelmente já ouviu falar do AAS talvez pela Aspirina, sua marca mais famosa, mas sabe exatamente o que ele faz no seu corpo? Apesar de familiar, ele ainda gera dúvidas: serve só para dor? ASS afina o sangue? Posso tomar na dengue ou na gravidez? 

Neste artigo, você encontra respostas claras e baseadas em evidências científicas. Sempre com a orientação do seu médico ou farmacêutico.

O que é o AAS (ácido acetilsalicílico)?

O ácido acetilsalicílico, popularmente conhecido como AAS, é um fármaco da classe dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). No Brasil, é comercializado sob diferentes nomes e em diferentes dosagens, que vão de 100 mg a 500 mg por comprimido.

Ácido acetilsalicílico: para que serve?

O medicamento AAS é amplamente utilizado como um agente antiplaquetário. As plaquetas são células na corrente sanguínea responsáveis pela coagulação, e quando ativadas podem formar coágulos que obstruem os vasos sanguíneos. O AAS impede que isso aconteça. Ele também é comumente utilizado para:

  • Alívio de dores leves a moderadas (cefaleia, dor muscular, odontalgias);
  • Redução da febre;
  • Prevenção de infarto e prevenção de AVC em pacientes de alto risco cardiovascular;
  • Tratamento de doenças inflamatórias, como artrite reumatoide.

Como o AAS funciona no organismo?

O AAS inibe a enzima ciclo-oxigenase (COX-1 e COX-2), reduzindo a produção de prostaglandinas, responsáveis pela dor, inflamação e febre, e de tromboxano A2, que estimula a agregação plaquetária.

É esse mecanismo que explica o efeito antiplaquetário do AAS. Ao bloquear o tromboxano A2, ele interfere na coagulação, reduzindo a capacidade das plaquetas de se agregarem e formarem coágulos. Como as plaquetas não regeneram enzimas, o efeito dura de 7 a 10 dias. 

Dizer que o AAS "afina o sangue" é uma simplificação popular, tecnicamente, ele é um anticoagulante antiplaquetário. Um estudo¹ confirmou que antiagregantes plaquetários reduzem significativamente o risco de eventos vasculares em pacientes de alto risco. 

Como tomar AAS corretamente

A forma correta de usar o AAS:

  • Para dor e febre: 500 mg a cada 4 a 8 horas, sem exceder 3 g/dia.
  • Para prevenção cardiovascular: 100 mg/dia, preferencialmente após as refeições.
  • Comprimidos revestidos: engolir inteiros para proteger a mucosa gástrica.

O uso sem orientação médica aumenta o risco de sangramento gastrointestinal e outros efeitos adversos.

Diferença entre AAS comum e AAS infantil

O AAS infantil está relacionado a formulações de baixa dosagem (81 mg a 100 mg), historicamente usadas em crianças. Hoje, porém, o uso em crianças e adolescentes com infecções virais é contraindicado pelo risco de Síndrome de Reye. 

O termo passou a descrever a dose baixa indicada para adultos na prevenção cardiovascular. AAS 500 mg é para dor e febre em adultos; AAS 100 mg é para proteção do coração, sempre com prescrição.

AAS: efeitos colaterais

Os efeitos colaterais do AAS mais comuns são: 

Sangramentos

A ação antiplaquetária do medicamento pode levar a um aumento do risco de sangramentos, especialmente a nível gástrico, pois também atua reduzindo a proteção natural deste órgão contra o ácido estomacal.

Reações Alérgicas

Algumas pessoas podem apresentar reações alérgicas que vão desde erupções na pele até crises asmáticas.

Sistema Digestivo

O uso contínuo pode causar desconforto gástrico, náuseas e, em casos mais graves, úlcera e perfuração do estômago.

Contraindicações

As principais contraindicações do AAS incluem:

  • Hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico ou a outros AINEs;
  • Histórico de úlcera péptica ativa ou sangramento gastrointestinal;
  • Distúrbios graves de coagulação (hemofilia);
  • Insuficiência renal ou hepática grave;
  • Uso concomitante com anticoagulantes orais sem supervisão médica;
  • Crianças e adolescentes com infecções virais (risco de Síndrome de Reye)
  • Asma induzida por AAS (tríade de Samter).

AAS na gravidez e amamentação

O uso de AAS em doses analgésicas não é recomendado durante a amamentação, pois o ácido acetilsalicílico é excretado no leite materno e pode representar risco ao bebê, especialmente pelo potencial de sangramento e pelo risco de Síndrome de Reye.

Na gravidez, o AAS em dose baixa (100 mg/dia) pode ser prescrito por médicos em situações específicas, como prevenção de pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco.

AAS pode ser usado em caso de dengue?

Não. A dengue causa queda de plaquetas (trombocitopenia) e risco de sangramento espontâneo. Como o AAS já compromete a agregação plaquetária, seu uso também traz risco hemorrágico. O Ministério da Saúde e a OMS recomendam paracetamol para febre e dor nesses casos.

Quem tem pressão alta pode tomar AAS infantil?

Embora o uso de doses baixas possa ser uma estratégia para prevenção de eventos cardiovasculares em pacientes hipertensos, é importante consultar um profissional de saúde antes de iniciar esse tipo de tratamento. 

O AAS infantil, por ter uma concentração menor do princípio ativo, pode ser indicado em algumas situações, mas a decisão deve sempre ser tomada de forma individualizada e acompanhada por um profissional de saúde.

Interações medicamentosas importantes

A interação entre AAS e anticoagulantes (varfarina, heparina) potencializa o efeito deste último, elevando o risco de sangramento. Combinado a outros AINEs, aumenta o risco de úlcera gastrointestinal. 

Pode amplificar a toxicidade do metotrexato e o efeito de antidiabéticos orais, além de reduzir a eficácia de anti-hipertensivos (IECAs). Informe sempre seu médico sobre todos os medicamentos em uso.

Leia também: Hipertensão arterial: cuidados e medicamentos indicados

Quando procurar atendimento médico

Procure atendimento médico imediatamente se apresentar:

  • Fezes escuras ou com sangue (sinal de sangramento gastrointestinal);
  • Vômitos com sangue;
  • Dor abdominal intensa;
  • Tontura, desmaio ou fraqueza súbita;
  • Reações alérgicas graves (edema, dificuldade para respirar).

Leitura da bula digital na Sara

Antes de usar qualquer medicamento, é importante que você siga as recomendações médicas, leia a bula do AAS. Para saber mais sobre este e outros medicamentos, conte com a nossa plataforma. Estamos aqui para oferecer informações confiáveis e apoiar você no cuidado com a sua saúde de forma segura e responsável.

O AAS é eficaz, versátil e amplamente estudado, mas não é inofensivo. Seja para aliviar dor, controlar febre ou proteger o coração, o uso correto faz toda a diferença.

Sempre consulte um médico ou farmacêutico antes de iniciar, alterar ou interromper o uso do AAS, especialmente em situações como gravidez, amamentação, dengue ou uso de outros medicamentos.

Quer mais informações sobre seus medicamentos? Acesse as bulas digitais de Sara e cuide da sua saúde com segurança.

Referência

1. ANTITHROMBOTIC TRIALISTS' COLLABORATION. Collaborative meta-analysis of randomised trials of antiplatelet therapy for prevention of death, myocardial infarction, and stroke in high risk patients. BMJ, London, v. 324, n. 7329, p. 71-86, 12 jan. 2002. DOI: 10.1136/bmj.324.7329.71. Disponível em: https://www.bmj.com/content/324/7329/71