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Glomerulonefrite pós-estreptocócica: causas da inflamação nos rins

A glomerulonefrite pós-estreptocócica é uma inflamação renal que surge após infecções por estreptococo, resultado de uma resposta imunológica inadequada. Embora seja mais comum em crianças, pode afetar adultos e exige acompanhamento médico para prevenir complicações renais.

Por Redação Sara
04/02/2026 Atualizado há cerca de 2 horas
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Glomerulonefrite pós-estreptocócica: causas da inflamação nos rins

Uma infecção aparentemente resolvida pode, semanas depois, desencadear uma resposta inflamatória em um órgão distante. É assim que surge a glomerulonefrite pós-estreptocócica, condição em que o sistema imunológico, ao reagir contra uma bactéria específica, acaba atingindo estruturas dos rins.

Esse mecanismo ajuda a entender por que a doença está entre as principais causas de síndrome nefrítica aguda, sobretudo na infância.

Compreender a relação entre infecção, resposta imunológica e inflamação renal ajuda no diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, pontos que serão aprofundados ao longo deste artigo.

O que pode causar glomerulonefrite pós-estreptocócica?

A glomerulonefrite é causada por processos inflamatórios que acometem os glomérulos, estruturas microscópicas dos rins responsáveis por filtrar o sangue. 

Essas alterações têm diferentes origens, mas, na maioria dos casos, estão relacionadas a respostas imunológicas anormais, infecções ou doenças sistêmicas.

Entre as causas mais comuns está a infecção por estreptococos, especialmente a provocada pelo Streptococcus pyogenes. 

Após uma infecção de garganta ou de pele mal tratada, o organismo pode formar complexos imunológicos que se depositam nos rins, desencadeando inflamação, quadro conhecido como glomerulonefrite pós-estreptocócica.

Também podem causar glomerulonefrite as doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico, vasculites e outras condições inflamatórias crônicas, nas quais o sistema imunológico passa a atacar tecidos do próprio corpo. 

Além disso, infecções virais e bacterianas persistentes, como hepatites, HIV e endocardite infecciosa, estão associadas a determinados tipos de glomerulonefrite.

Outras causas incluem o uso de alguns medicamentos, neoplasias, doenças hereditárias e alterações primárias do próprio rim, chamadas de glomerulopatias primárias. 

Quais são os sintomas de glomerulopatias?

Os sintomas das glomerulopatias variam conforme o tipo, a intensidade da inflamação e a rapidez de evolução da doença. Em muitos casos, as alterações iniciais são silenciosas e detectadas apenas em exames de rotina, como urina e sangue. Quando presentes, os sinais refletem principalmente o comprometimento da função de filtração dos rins.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Inchaço (edema), especialmente ao redor dos olhos, nas pernas, tornozelos e pés, causado pela perda de proteínas na urina;
  • Alterações na urina, como urina escura ou cor de "coca-cola", avermelhada ou espumosa (proteinúria);
  • Pressão alta (hipertensão arterial), decorrente da retenção de líquidos e do desequilíbrio renal;
  • Redução do volume urinário, em alguns casos.

Em quadros mais avançados ou agudos, podem surgir:

  • Cansaço e mal-estar, relacionados à perda de proteínas ou à queda da função renal;
  • Náuseas e falta de apetite;
  • Falta de ar, devido à retenção de líquidos;
  • Dor lombar, menos comum, mas possível em processos inflamatórios agudos.

Quais são as complicações da glomerulonefrite pós-estreptocócica?

As complicações estão relacionadas ao comprometimento progressivo da função dos rins. Elas variam conforme a causa, a gravidade do quadro e a rapidez do tratamento de suporte. 

Quando a inflamação glomerular não é controlada, o risco de danos permanentes aumenta. Entre eles estão:

  • Doença renal crônica: perda gradual e irreversível da função renal, especialmente em casos não tratados ou de evolução lenta;
  • Insuficiência renal aguda: queda súbita da capacidade dos rins de filtrar o sangue, podendo exigir internação e suporte intensivo;
  • Hipertensão arterial persistente: comum devido à retenção de líquidos e à alteração dos mecanismos de regulação da pressão;
  • Síndrome nefrótica: caracterizada por grande perda de proteínas na urina, inchaço importante e aumento do risco de infecções e trombose;
  • Distúrbios hidroeletrolíticos: alterações nos níveis de sódio, potássio e outros eletrólitos, com impacto no funcionamento do coração e músculos;
  • Necessidade de diálise: em estágios avançados, quando os rins não conseguem mais exercer suas funções;
  • Progressão para insuficiência renal terminal, com necessidade de transplante renal em alguns casos.

Diagnóstico: como a condição é identificada

O diagnóstico da inflamação une avaliação clínica, exames laboratoriais e, em alguns casos, exames mais específicos. Isso acontece, pois a condição pode se manifestar de formas diferentes e nem sempre causa sintomas evidentes no início.

Geralmente, a investigação começa com exames de urina, que ajudam a identificar perda de proteínas (proteinúria), sangue na urina (hematúria) e cilindros urinários, alterações típicas quando os glomérulos são acometidos. 

Em paralelo, exames de sangue avaliam a função renal, como os níveis de creatinina e ureia, além de marcadores inflamatórios e imunológicos, que ajudam a sugerir a causa do processo inflamatório.

Quando há suspeita de origem infecciosa ou autoimune, exames específicos podem ser solicitados, como ASLO, complementos do sistema imunológico, anticorpos autoimunes e sorologias. Esses testes ajudam a diferenciar glomerulonefrites pós-infecciosas, autoimunes ou associadas a doenças sistêmicas.

Em situações em que o diagnóstico permanece incerto, a doença evolui rapidamente ou é necessário definir com precisão o tipo de glomerulonefrite, o médico pode indicar a biópsia renal. Esse exame permite analisar diretamente o tecido do rim e orientar o tratamento mais adequado. 

Tratamento e cuidados necessários

Não existe uma abordagem única para todos os pacientes. Afinal, o objetivo é controlar a inflamação dos glomérulos, preservar a função dos rins e evitar a progressão para insuficiência renal.

Quando a glomerulonefrite está associada a infecções, o tratamento inclui a erradicação do agente causador, o que costuma envolver o uso de antibióticos. 

Já nos casos de origem autoimune ou inflamatória, podem ser utilizados corticosteroides e outros imunossupressores, sempre com acompanhamento rigoroso, devido aos possíveis efeitos adversos. 

Além disso, o controle da pressão arterial é uma parte central do processo, junto de  medicamentos que também ajudam a reduzir a perda de proteínas pela urina.

Os cuidados gerais envolvem acompanhamento regular com o médico, geralmente o nefrologista, realização periódica de exames de sangue e urina, e ajustes na alimentação, como redução de sal, controle de proteínas e líquidos, conforme a orientação profissional. 

Em casos mais graves, quando há perda importante da função renal, pode ser necessária diálise temporária ou permanente. A adesão ao tratamento e o seguimento contínuo são determinantes para melhorar o prognóstico e reduzir o risco de complicações renais a longo prazo.

Leia também: Benefícios do Enalapril: como esse remédio apoia a saúde do coração e dos rins

Prognóstico e recuperação

Em muitos casos, principalmente nas formas agudas e pós-infecciosas, a recuperação é  completa ou quase completa. Mas para isso o acompanhamento e o tratamento precisam ser adequados.

Por outro lado, algumas glomerulonefrites têm evolução lenta e progressiva, podendo levar à doença renal crônica ao longo dos anos. Nesses casos, o objetivo do tratamento é retardar a progressão da perda da função renal, controlar sintomas e reduzir complicações, como hipertensão e retenção de líquidos.

O acompanhamento médico regular, com exames periódicos de sangue e urina, é uma prática essencial mesmo depois da melhora clínica. 

A adesão ao tratamento, o controle rigoroso da pressão arterial e a identificação precoce de recaídas são fatores decisivos para um prognóstico mais favorável e para a manutenção da qualidade de vida a longo prazo.

Informação e acompanhamento como aliados da recuperação

Apesar de apresentar bom prognóstico, a glomerulonefrite pós-estreptocócica exige atenção e acompanhamento médico desde o início para evitar complicações e garantir a recuperação. 

O controle clínico, a realização de exames periódicos e o manejo correto de sintomas como hipertensão e edema são etapas do cuidado. Além disso, seguir as orientações do médico e utilizar os remédios conforme prescrição são atitudes que fazem diferença no desfecho. 

Por isso, sempre que houver indicação de tratamento medicamentoso, consulte a nossa página de bulas digitais para compreender melhor o uso correto, as orientações e os cuidados necessários.

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