
Uma infecção aparentemente resolvida pode, semanas depois, desencadear uma resposta inflamatória em um órgão distante. É assim que surge a glomerulonefrite pós-estreptocócica, condição em que o sistema imunológico, ao reagir contra uma bactéria específica, acaba atingindo estruturas dos rins.
Esse mecanismo ajuda a entender por que a doença está entre as principais causas de síndrome nefrítica aguda, sobretudo na infância.
Compreender a relação entre infecção, resposta imunológica e inflamação renal ajuda no diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, pontos que serão aprofundados ao longo deste artigo.
A glomerulonefrite é causada por processos inflamatórios que acometem os glomérulos, estruturas microscópicas dos rins responsáveis por filtrar o sangue.
Essas alterações têm diferentes origens, mas, na maioria dos casos, estão relacionadas a respostas imunológicas anormais, infecções ou doenças sistêmicas.
Entre as causas mais comuns está a infecção por estreptococos, especialmente a provocada pelo Streptococcus pyogenes.
Após uma infecção de garganta ou de pele mal tratada, o organismo pode formar complexos imunológicos que se depositam nos rins, desencadeando inflamação, quadro conhecido como glomerulonefrite pós-estreptocócica.
Também podem causar glomerulonefrite as doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico, vasculites e outras condições inflamatórias crônicas, nas quais o sistema imunológico passa a atacar tecidos do próprio corpo.
Além disso, infecções virais e bacterianas persistentes, como hepatites, HIV e endocardite infecciosa, estão associadas a determinados tipos de glomerulonefrite.
Outras causas incluem o uso de alguns medicamentos, neoplasias, doenças hereditárias e alterações primárias do próprio rim, chamadas de glomerulopatias primárias.
Os sintomas das glomerulopatias variam conforme o tipo, a intensidade da inflamação e a rapidez de evolução da doença. Em muitos casos, as alterações iniciais são silenciosas e detectadas apenas em exames de rotina, como urina e sangue. Quando presentes, os sinais refletem principalmente o comprometimento da função de filtração dos rins.
Entre os sintomas mais comuns estão:
Em quadros mais avançados ou agudos, podem surgir:
As complicações estão relacionadas ao comprometimento progressivo da função dos rins. Elas variam conforme a causa, a gravidade do quadro e a rapidez do tratamento de suporte.
Quando a inflamação glomerular não é controlada, o risco de danos permanentes aumenta. Entre eles estão:
O diagnóstico da inflamação une avaliação clínica, exames laboratoriais e, em alguns casos, exames mais específicos. Isso acontece, pois a condição pode se manifestar de formas diferentes e nem sempre causa sintomas evidentes no início.
Geralmente, a investigação começa com exames de urina, que ajudam a identificar perda de proteínas (proteinúria), sangue na urina (hematúria) e cilindros urinários, alterações típicas quando os glomérulos são acometidos.
Em paralelo, exames de sangue avaliam a função renal, como os níveis de creatinina e ureia, além de marcadores inflamatórios e imunológicos, que ajudam a sugerir a causa do processo inflamatório.
Quando há suspeita de origem infecciosa ou autoimune, exames específicos podem ser solicitados, como ASLO, complementos do sistema imunológico, anticorpos autoimunes e sorologias. Esses testes ajudam a diferenciar glomerulonefrites pós-infecciosas, autoimunes ou associadas a doenças sistêmicas.
Em situações em que o diagnóstico permanece incerto, a doença evolui rapidamente ou é necessário definir com precisão o tipo de glomerulonefrite, o médico pode indicar a biópsia renal. Esse exame permite analisar diretamente o tecido do rim e orientar o tratamento mais adequado.
Não existe uma abordagem única para todos os pacientes. Afinal, o objetivo é controlar a inflamação dos glomérulos, preservar a função dos rins e evitar a progressão para insuficiência renal.
Quando a glomerulonefrite está associada a infecções, o tratamento inclui a erradicação do agente causador, o que costuma envolver o uso de antibióticos.
Já nos casos de origem autoimune ou inflamatória, podem ser utilizados corticosteroides e outros imunossupressores, sempre com acompanhamento rigoroso, devido aos possíveis efeitos adversos.
Além disso, o controle da pressão arterial é uma parte central do processo, junto de medicamentos que também ajudam a reduzir a perda de proteínas pela urina.
Os cuidados gerais envolvem acompanhamento regular com o médico, geralmente o nefrologista, realização periódica de exames de sangue e urina, e ajustes na alimentação, como redução de sal, controle de proteínas e líquidos, conforme a orientação profissional.
Em casos mais graves, quando há perda importante da função renal, pode ser necessária diálise temporária ou permanente. A adesão ao tratamento e o seguimento contínuo são determinantes para melhorar o prognóstico e reduzir o risco de complicações renais a longo prazo.
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Em muitos casos, principalmente nas formas agudas e pós-infecciosas, a recuperação é completa ou quase completa. Mas para isso o acompanhamento e o tratamento precisam ser adequados.
Por outro lado, algumas glomerulonefrites têm evolução lenta e progressiva, podendo levar à doença renal crônica ao longo dos anos. Nesses casos, o objetivo do tratamento é retardar a progressão da perda da função renal, controlar sintomas e reduzir complicações, como hipertensão e retenção de líquidos.
O acompanhamento médico regular, com exames periódicos de sangue e urina, é uma prática essencial mesmo depois da melhora clínica.
A adesão ao tratamento, o controle rigoroso da pressão arterial e a identificação precoce de recaídas são fatores decisivos para um prognóstico mais favorável e para a manutenção da qualidade de vida a longo prazo.
Apesar de apresentar bom prognóstico, a glomerulonefrite pós-estreptocócica exige atenção e acompanhamento médico desde o início para evitar complicações e garantir a recuperação.
O controle clínico, a realização de exames periódicos e o manejo correto de sintomas como hipertensão e edema são etapas do cuidado. Além disso, seguir as orientações do médico e utilizar os remédios conforme prescrição são atitudes que fazem diferença no desfecho.
Por isso, sempre que houver indicação de tratamento medicamentoso, consulte a nossa página de bulas digitais para compreender melhor o uso correto, as orientações e os cuidados necessários.