Hemograma: um panorama sobre o exame de sangue que avalia sua saúde geral

O hemograma é um exame laboratorial essencial para avaliar o funcionamento do organismo. A partir da análise das células do sangue, ele auxilia na identificação de alterações relacionadas à oxigenação, à resposta imunológica e à coagulação, servindo como apoio na investigação clínica.

Por Redação Sara
27/03/2026 Atualizado há cerca de 1 mês
Compartilhar por:
Imagem de uma pessoa segurando tubos de ensaio com sangue em um laboratório. Ao lado, há uma centrífuga. A imagem representa um exame de hemograma.

Receber o resultado de um hemograma costuma gerar mais perguntas do que respostas. Números, siglas e valores de referência aparecem organizados em tabelas que nem sempre são autoexplicativas. 

Ainda assim, esse é um dos exames laboratoriais mais utilizados na prática médica porque oferece uma visão inicial do que está acontecendo no sangue — e, por consequência, em diferentes sistemas do organismo.

O hemograma avalia três conjuntos celulares principais: os glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte de oxigênio; os glóbulos brancos, envolvidos na defesa contra infecções; e as plaquetas, que participam da coagulação. Alterações nesses parâmetros podem indicar desde situações transitórias, como uma infecção recente, até condições que exigem investigação mais aprofundada, como anemia ou distúrbios da medula óssea.

O que é e para que serve o hemograma?

O hemograma é um exame de sangue que avalia, de forma quantitativa e qualitativa, as células do sangue. Ele fornece informações essenciais sobre o estado geral de saúde e é uma das análises laboratoriais mais solicitadas na prática clínica.

Além de avaliar o estado geral de saúde, ele também para investigar causas de cansaço, palidez, febre ou infecções frequentes, acompanhar doenças crônicas e tratamentos e monitorar efeitos de medicamentos. 

Sem contar que é um importante instrumento que auxilia no diagnóstico de anemias, inflamações e alterações hematológicas. Embora o hemograma completo seja o mais solicitado, também é possível pedir suas análises de forma isolada, de acordo com a hipótese clínica. 

Nesses casos, o exame pode ser direcionado para o eritrograma (avaliação das hemácias), o leucograma (avaliação dos glóbulos brancos) ou o plaquetograma (avaliação das plaquetas), permitindo uma investigação mais específica.

Leia também: Descubra por que fazer exames de rotina é essencial para sua saúde

Eritrograma: o que os glóbulos vermelhos revelam

O eritrograma avalia os eritrócitos (hemácias), células responsáveis por levar oxigênio para todo o corpo. 

Hemoglobina

Um dos primeiros dados observados é a hemoglobina, proteína que transporta esse oxigênio. Em adultos, os valores costumam ficar entre 12,0 e 16,0 g/dL em mulheres e 13,0 a 18,0 g/dL em homens. 

Quando a hemoglobina está abaixo desses níveis, o organismo passa a receber menos oxigênio, o que pode causar cansaço, palidez e falta de ar, caracterizando um quadro de anemia.

Hematócrito

Outro indicador é o hematócrito, que mostra quanto do volume total do sangue é formado por glóbulos vermelhos. Em geral, ele varia de 35% a 47% nas mulheres e de 38% a 52% nos homens. 

Valores baixos reforçam a suspeita de anemia, enquanto números elevados podem indicar desidratação ou aumento da concentração de hemácias.

Hemácias

O VCM, HCM, CHCM e RDW são índices do eritrograma que ajudam a avaliar as características das hemácias (glóbulos vermelhos). Eles são fundamentais para a investigação das anemias e de outras alterações hematológicas.  

Hemácias menores que o normal costumam estar associadas à falta de ferro, enquanto hemácias maiores podem indicar deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico. 

  • O VCM (Volume Corpuscular Médio) indica o tamanho médio das hemácias. Os valores de referência costumam variar entre 80 e 100 fL em adultos.
  • O HCM (Hemoglobina Corpuscular Média) avalia a quantidade média de hemoglobina dentro de cada hemácia. Geralmente, o valor de referência fica entre 27 e 33 pg.
  • O CHCM (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média) mostra a concentração de hemoglobina dentro das hemácias, independentemente do tamanho celular. Em adultos, os valores costumam variar entre 32 e 36 g/dL.
  • O RDW (Red Cell Distribution Width) mede a variação do tamanho das hemácias (anisocitose). O valor de referência geralmente fica entre 11,5% e 14,5%.

Leucograma: como o sistema de defesa responde

O leucograma analisa os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo. Normalmente, a contagem total de leucócitos varia entre 4.000 e 11.000 células por microlitro de sangue. 

Alterações nesses valores indicam que o corpo pode estar reagindo a infecções, inflamações ou outros estímulos.

Neutrófilos e linfócitos

Os neutrófilos, que representam a maior parte dos leucócitos, costumam aumentar em infecções bacterianas. 

Por sua vez, os linfócitos tendem a se elevar em infecções virais e estão diretamente ligados à resposta imunológica. 

Monócitos, eosinófilos e basófilos

Já os monócitos participam de inflamações mais prolongadas, enquanto os eosinófilos aparecem em maior quantidade em quadros alérgicos ou parasitoses. 

Embora menos frequentes, os basófilos também participam de reações inflamatórias específicas.

Plaquetograma: equilíbrio da coagulação

O plaquetograma avalia as plaquetas, células que atuam na coagulação e na prevenção de sangramentos. Em adultos, os valores normais costumam variar entre 150.000 e 450.000 plaquetas por microlitro de sangue. 

Quando essas células estão abaixo desse intervalo, há maior risco de sangramentos. Já quando estão elevadas, pode haver maior risco de formação de coágulos, dependendo da causa. 

Esse componente do hemograma é importante em casos de sangramento fácil, antes de cirurgias e no acompanhamento de algumas doenças e tratamentos.

Leia também: Como identificar e tratar plaquetas altas?

Entendendo os componentes: como interpretar o hemograma

A interpretação começa pela comparação dos resultados do paciente com os valores de referência do hemograma estabelecidos para cada parâmetro analisado. Essa etapa permite identificar se os achados estão dentro da faixa considerada normal ou se apresentam desvios que merecem atenção.

Os valores de referência são definidos a partir de estudos populacionais. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) estabelece e atualiza esses valores por meio do Programa Nacional de Controle de Qualidade, garantindo padronização e confiabilidade aos exames laboratoriais.

É importante destacar que o hemograma não é um exame diagnóstico isolado. Ele funciona como uma ferramenta de rastreio e apoio clínico, auxiliando na investigação de infecções, anemias, inflamações, distúrbios hematológicos e outras condições, como leucemia

Portanto, a interpretação adequada exige a correlação com os sintomas, histórico clínico e outros exames, tarefa que deve ser realizada exclusivamente por um médico.

Dessa forma, diante de qualquer alteração no exame, a orientação é sempre buscar avaliação médica, evitando conclusões precipitadas. Alterações laboratoriais são pontos de partida para a investigação clínica, e não respostas definitivas sobre o estado de saúde do paciente.

Valores de referência: o que realmente significam no hemograma

Os números apresentados no hemograma sempre aparecem acompanhados de uma faixa de referência. Esses intervalos são definidos a partir de estudos com populações consideradas saudáveis e servem como parâmetro comparativo

Os valores de hemoglobina, por exemplo, variam conforme sexo e idade. A Organização Mundial da Saúde considera anemia quando a hemoglobina está abaixo de 13 g/dL em homens adultos e 12 g/dL em mulheres adultas. Já a contagem de leucócitos costuma situar-se entre 4.000 e 11.000 células por microlitro em adultos, podendo sofrer variações discretas sem que isso represente infecção ativa.

No caso das plaquetas, a maioria dos laboratórios adota como referência valores entre 150.000 e 450.000/µL. Pequenas oscilações dentro dessa faixa podem ocorrer por fatores fisiológicos e não necessariamente indicam distúrbios de coagulação.

É preciso fazer jejum para o hemograma?

Na maioria dos casos, não é necessário fazer jejum para exame de sangue. Isso porque ele avalia as células do sangue, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, e a ingestão recente de alimentos não interfere de forma significativa nesses parâmetros.

No entanto, a ação pode ser solicitada quando o hemograma é feito junto de outros exames laboratoriais, como glicemia, colesterol ou triglicerídeos, que dependem diretamente da alimentação. 

Por isso, a orientação final deve sempre seguir o pedido médico ou as instruções do laboratório, garantindo que todos os resultados sejam interpretados corretamente.

Quando o hemograma é considerado preocupante

O hemograma passa a exigir atenção imediata quando as alterações são significativas, persistentes e acompanhadas de sintomas clínicos. 

Ainda assim, o resultado isolado não determina gravidade. A interpretação do hemograma considera a intensidade da alteração, sua duração e o contexto clínico. 

Alterações leves e transitórias são comuns em situações como infecções virais recentes, estresse fisiológico ou recuperação de processos inflamatórios. O que torna o exame preocupante não é apenas o número fora da faixa de referência, mas a combinação entre dados laboratoriais e quadro clínico.

Como vimos, o hemograma é um exame fundamental, mas seus resultados não devem ser interpretados de forma isolada. Por isso, a avaliação médica segue sendo indispensável para transformar os dados laboratoriais em diagnósticos mais precisos.

Quando o médico indica tratamento, especialmente com medicamentos, é necessário compreender posologia, efeitos adversos, contraindicações e interações. 

Em situações que envolvem medicamentos capazes de interferir na produção de glóbulos vermelhos, leucócitos ou plaquetas, consultar informações oficiais é parte do cuidado. 

As bulas digitais da Sara permitem acessar orientações atualizadas sobre efeitos adversos hematológicos descritos pela Anvisa, contribuindo para um acompanhamento mais seguro.