
Em muitos atendimentos médicos, a investigação começa com uma pergunta simples, mas decisiva: como está o sangue? Antes mesmo de exames mais complexos, é o hemograma que oferece as primeiras pistas sobre o que acontece no organismo.
Por reunir informações essenciais sobre oxigenação, defesa imunológica e coagulação, o hemograma se tornou um dos exames laboratoriais mais solicitados na prática clínica.
Entender sua importância é compreender como pequenas variações nos resultados podem sinalizar desequilíbrios relevantes e auxiliar o médico na tomada de decisões mais seguras e precisas. Neste artigo, conheça mais sobre esse tipo de exame e o que ele revela para o diagnóstico médico.
O hemograma é um exame de sangue que avalia, de forma quantitativa e qualitativa, as células do sangue. Ele fornece informações essenciais sobre o estado geral de saúde e é uma das análises laboratoriais mais solicitadas na prática clínica.
Além de avaliar o estado geral de saúde, ele também para investigar causas de cansaço, palidez, febre ou infecções frequentes, acompanhar doenças crônicas e tratamentos e monitorar efeitos de medicamentos.
Sem contar que é um importante instrumento que auxilia no diagnóstico de anemias, inflamações e alterações hematológicas. Embora o hemograma completo seja o mais solicitado, também é possível pedir suas análises de forma isolada, de acordo com a hipótese clínica.
Nesses casos, o exame pode ser direcionado para o eritrograma (avaliação das hemácias), o leucograma (avaliação dos glóbulos brancos) ou o plaquetograma (avaliação das plaquetas), permitindo uma investigação mais específica.
Leia também: Descubra por que fazer exames de rotina é essencial para sua saúde
O eritrograma avalia os eritrócitos (hemácias), células responsáveis por levar oxigênio para todo o corpo.
Um dos primeiros dados observados é a hemoglobina, proteína que transporta esse oxigênio. Em adultos, os valores costumam ficar entre 12,0 e 16,0 g/dL em mulheres e 13,0 a 18,0 g/dL em homens.
Quando a hemoglobina está abaixo desses níveis, o organismo passa a receber menos oxigênio, o que pode causar cansaço, palidez e falta de ar, caracterizando um quadro de anemia.
Outro indicador é o hematócrito, que mostra quanto do volume total do sangue é formado por glóbulos vermelhos. Em geral, ele varia de 35% a 47% nas mulheres e de 38% a 52% nos homens.
Valores baixos reforçam a suspeita de anemia, enquanto números elevados podem indicar desidratação ou aumento da concentração de hemácias.
O VCM, HCM, CHCM e RDW são índices do eritrograma que ajudam a avaliar as características das hemácias (glóbulos vermelhos). Eles são fundamentais para a investigação das anemias e de outras alterações hematológicas.
Hemácias menores que o normal costumam estar associadas à falta de ferro, enquanto hemácias maiores podem indicar deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico.
O leucograma analisa os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo. Normalmente, a contagem total de leucócitos varia entre 4.000 e 11.000 células por microlitro de sangue.
Alterações nesses valores indicam que o corpo pode estar reagindo a infecções, inflamações ou outros estímulos.
Os neutrófilos, que representam a maior parte dos leucócitos, costumam aumentar em infecções bacterianas.
Por sua vez, os linfócitos tendem a se elevar em infecções virais e estão diretamente ligados à resposta imunológica.
Já os monócitos participam de inflamações mais prolongadas, enquanto os eosinófilos aparecem em maior quantidade em quadros alérgicos ou parasitoses.
Embora menos frequentes, os basófilos também participam de reações inflamatórias específicas.
O plaquetograma avalia as plaquetas, células que atuam na coagulação e na prevenção de sangramentos. Em adultos, os valores normais costumam variar entre 150.000 e 450.000 plaquetas por microlitro de sangue.
Quando essas células estão abaixo desse intervalo, há maior risco de sangramentos. Já quando estão elevadas, pode haver maior risco de formação de coágulos, dependendo da causa.
Esse componente do hemograma é importante em casos de sangramento fácil, antes de cirurgias e no acompanhamento de algumas doenças e tratamentos.
Leia também: Como identificar e tratar plaquetas altas?
A interpretação começa pela comparação dos resultados do paciente com os valores de referência do hemograma estabelecidos para cada parâmetro analisado. Essa etapa permite identificar se os achados estão dentro da faixa considerada normal ou se apresentam desvios que merecem atenção.
Os valores de referência são definidos a partir de estudos populacionais. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) estabelece e atualiza esses valores por meio do Programa Nacional de Controle de Qualidade, garantindo padronização e confiabilidade aos exames laboratoriais.
É importante destacar que o hemograma não é um exame diagnóstico isolado. Ele funciona como uma ferramenta de rastreio e apoio clínico, auxiliando na investigação de infecções, anemias, inflamações, distúrbios hematológicos e outras condições, como leucemia.
Portanto, a interpretação adequada exige a correlação com os sintomas, histórico clínico e outros exames, tarefa que deve ser realizada exclusivamente por um médico.
Dessa forma, diante de qualquer alteração no exame, a orientação é sempre buscar avaliação médica, evitando conclusões precipitadas. Alterações laboratoriais são pontos de partida para a investigação clínica, e não respostas definitivas sobre o estado de saúde do paciente.
Na maioria dos casos, não é necessário fazer jejum para exame de sangue. Isso porque ele avalia as células do sangue, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, e a ingestão recente de alimentos não interfere de forma significativa nesses parâmetros.
No entanto, a ação pode ser solicitada quando o hemograma é feito junto de outros exames laboratoriais, como glicemia, colesterol ou triglicerídeos, que dependem diretamente da alimentação.
Por isso, a orientação final deve sempre seguir o pedido médico ou as instruções do laboratório, garantindo que todos os resultados sejam interpretados corretamente.
Como vimos, o hemograma é um exame fundamental, mas seus resultados não devem ser interpretados de forma isolada. Por isso, a avaliação médica segue sendo indispensável para transformar os dados laboratoriais em diagnósticos mais precisos.
Quando o médico indica tratamento, especialmente com medicamentos, é necessário compreender posologia, efeitos adversos, contraindicações e interações.
Nesse contexto, consulte a nossa página de bulas digitais. Nela, você encontra informações completas, atualizadas e de qualidade, contribuindo para um uso mais seguro e consciente dos medicamentos.