CIVD, PTT e SHU: entenda essas doenças do sangue e seus riscos

CIVD, PTT e SHU são doenças graves que afetam a coagulação do sangue e podem causar formação de coágulos, destruição de células sanguíneas e falência de órgãos, exigindo diagnóstico e tratamento rápidos.

Por Redação Sara
30/04/2026 Atualizado há 3 meses
Compartilhar por:
Imagem de uma pessoa segurando uma coleta de exame de sangue.

Existem condições que poucos conhecem, mas que exigem resposta médica imediata. A coagulação intravascular disseminada (CIVD), a púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) e a síndrome hemolítico-urêmica (SHU) fazem parte desse grupo. 

A CIVD, PTT e SHU são doenças do sangue graves que comprometem o sistema hematológico, podendo evoluir rapidamente para falência de múltiplos órgãos. Entender o que são, como se manifestam e por que o tempo de diagnóstico é crítico pode salvar vidas.

O que são CIVD, PTT e SHU e por que são condições graves?

A CIVD é uma condição em que o sistema de coagulação entra em colapso. Ele se ativa de forma descontrolada pelo corpo, esgota seus próprios recursos e deixa o paciente vulnerável a sangrar e desenvolver coágulos ao mesmo tempo. Sempre surge como consequência de outra doença grave, como sepse ou trauma severo.

A PTT e a SHU são doenças distintas, mas que compartilham um mecanismo central chamado microangiopatia trombótica. Em ambas, pequenos vasos são bloqueados por coágulos minúsculos, destruindo glóbulos vermelhos e consumindo plaquetas. As duas são emergências médicas.

Já a PTI (codificada como D69.3 na CID-10) causa queda de plaquetas, mas de natureza exclusivamente imune e, em geral, sem trombose microvascular.

Diferenças entre CIVD, PTT e SHU

Na coagulação intravascular disseminada, o problema está no esgotamento simultâneo das plaquetas e dos fatores de coagulação, o que não acontece nas outras, onde os fatores permanecem intactos.

A púrpura trombocitopênica trombótica é causada por deficiência da enzima ADAMTS13. Quando essa enzima falta ou é bloqueada pelo próprio sistema imune, as plaquetas se agregam sem controle e obstruem pequenos vasos por todo o organismo.

A síndrome hemolítico-urêmica segue um caminho diferente: geralmente começa com uma infecção bacteriana, a mais comum é a E. coli, ou com uma falha genética no sistema de defesa do organismo.

Na prática, diferenciar as duas não é simples, porque os sintomas se sobrepõem. O principal indício clínico é o órgão mais afetado: complicações neurológicas falam mais a favor de PTT, enquanto insuficiência renal grave aponta para SHU. 

O exame que confirma é a dosagem de ADAMTS13, sendo que o resultado abaixo de 10% fecha o diagnóstico de PTT.

Principais causas e fatores de risco

A CIVD não surge do nada, ela é sempre consequência de outra condição grave. Sepse, leucemia, trauma severo, grandes cirurgias e queimaduras estão entre as causas mais comuns. O que elas têm em comum é a inflamação intensa, que desregula o sistema de coagulação.

PTT e SHU têm gatilhos diferentes: gravidez, infecções bacterianas, medicamentos como quinina e quimioterápicos, doenças autoimunes e predisposição genética são os principais.

Sintomas mais comuns e sinais de alerta

Na CIVD, o sinal mais comum é o sangramento, No entanto, a doença pode ir além: gangrena nos dedos, necrose da pele, falência renal, respiratória e choque são complicações possíveis.

Na PTT, o quadro costuma se apresentar com queda de plaquetas, destruição de glóbulos vermelhos e sintomas isquêmicos. A confusão mental e convulsões são os mais preocupantes.

Na SHU, tudo geralmente começa com diarreia com sangue, seguida de anemia abrupta e perda rápida da função renal. É a forma mais comum em crianças.

Leia também: Anemia: saiba tudo sobre essa condição da hemoglobina

Como é feito o diagnóstico e quais tratamentos estão disponíveis

Para a CIVD, os exames principais são hemograma, tempo de protrombina, fibrinogênio e D-dímero. Queda de plaquetas, fibrinogênio baixo e D-dímero elevado são os achados mais sugestivos. O tratamento foca em tratar distúrbios de coagulação, enquanto repõe plasma e plaquetas.

Para PTT e SHU, além do hemograma, são essenciais o esfregaço de sangue periférico, LDH, haptoglobina e a dosagem de ADAMTS13. Na PTT, o tratamento central é a plasmaférese, que elevou a sobrevivência de 10% para até 92%. Corticoides e rituximabe entram nos casos imunomediados. 

Segundo a atualização de 2025 da ISTH, pacientes com PTT congênita em remissão devem receber ADAMTS13 recombinante no lugar de plasma fresco. Na SHU atípica, o eculizumabe é o principal avanço terapêutico.

Importância do atendimento rápido

Cada hora faz diferença nessas condições. Estudos divulgados no Journal of Thrombosis and Haemostasis mostram que pacientes com sepse grave e CIVD têm o dobro da mortalidade em relação àqueles com sepse sem CIVD. 

Qualquer sinal de sangramento inexplicado, queda abrupta de plaquetas, hemólise ou insuficiência renal aguda deve levar à investigação urgente, sem esperar o quadro se agravar.

Como visto, CIVD, PTT e SHU são condições raras, mas com potencial fatal quando não tratadas a tempo. Cada uma tem mecanismo próprio e exige abordagem específica. Reconhecer os sinais cedo e buscar atendimento especializado faz toda a diferença entre a recuperação e a progressão irreversível da doença.

E lembre-se: seguir as orientações médicas é parte essencial do tratamento. Se você precisar de algum medicamento, consulte as bulas digitais de Sara.

Precisa consultar uma bula ou organizar os horários de suas medicações?

Escolha uma das opções abaixo para criar um lembrete de medicação, escanear o QR Code de uma embalagem ou buscar uma bula pelo nome do medicamento.

Aviso importante: Os lembretes são uma ferramenta de apoio e não substituem a orientação de um profissional de saúde. Em caso de dúvidas sobre o uso do medicamento, consulte a bula, seu médico ou farmacêutico.