Insônia: por que surge e como melhorar o sono
Insônia é um distúrbio do sono caracterizado pela dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou pela sensação de sono não reparador. Pode ser ocasional ou crônica e está frequentemente associada a estresse, ansiedade ou condições médicas.

Você já passou noites olhando para o teto, com a mente acelerada e o corpo cansado, sem conseguir dormir? Se a resposta é sim, você não está sozinho. A insônia é o distúrbio do sono mais comum do mundo e no Brasil cerca de 72% da população sofre com algum tipo de alteração relacionada ao sono.
Neste artigo, trazemos um panorama sobre como identificar a condição e as formas mais eficientes de tratamento. Confira!
O que é insônia?
A insônia é um tipo de distúrbio do sono. Ela vai além de uma noite difícil, se apresentando também na forma de dificuldade persistente de iniciar ou manter o sono, acordar muito cedo ou ter uma noite que não descansa, mesmo com tempo suficiente na cama.
Diferença entre insônia aguda e crônica
A condição aguda dura dias ou semanas e costuma ter uma causa clara, como uma situação de estresse, uma viagem, um período de tensão.
Já a insônia crônica ocorre pelo menos três vezes por semana durante mais de três meses e exige atenção médica.
Existe ainda um terceiro tipo, a insônia mista, em que a pessoa alterna períodos de sono normal com recaídas e é comum em quem vive sob pressão constante.
Principais causas da insônia: do estresse a doenças crônicas
O estresse e a ansiedade estão entre os principais gatilhos: a mente acelerada dificulta o relaxamento necessário para dormir.
Na insônia da ansiedade, especificamente, é comum o padrão de deitar, não conseguir desligar os pensamentos, ter sono leve e acordar várias vezes durante a noite, às vezes sem motivo aparente.
O uso excessivo de telas antes de dormir é outro fator relevante: a luz azul emitida por celulares e computadores interfere na produção de melatonina e desregula o ciclo circadiano, o relógio biológico que sinaliza ao corpo quando é hora de dormir e acordar.
A depressão também interfere no sono, assim como doenças que causam desconforto físico, como dor crônica, refluxo gastroesofágico e apneia do sono. Esta última, além de fragmentar o sono, pode passar despercebida: a pessoa acredita que dormiu, mas acorda cansada.
Medicamentos que podem interferir no sono
Corticoides, descongestionantes, alguns antidepressivos e medicamentos para pressão estão entre os que podem prejudicar a qualidade do sono.
O ideal é sempre verificar a bula antes de iniciar um novo tratamento.
Sintomas e sinais de alerta
Além da dificuldade para dormir, a insônia se manifesta de formas que vão muito além da noite. A sonolência diurna é o mais óbvio, mas irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória e queda no rendimento no trabalho ou nos estudos também fazem parte do quadro.
Em casos mais prolongados, surgem alterações de humor, maior sensibilidade emocional e até episódios de ansiedade que antes não existiam.
Fisicamente, o corpo também dá sinais: dores de cabeça frequentes ao acordar, sensação de peso nos olhos e queda na imunidade são sintomas comuns em quem dorme mal de forma recorrente.
Os impactos da privação do sono na saúde
Dormir mal não é apenas incômodo, é um risco à saúde. A privação crônica do sono está associada ao aumento do risco cardiovascular, ganho de peso, alterações cognitivas, enfraquecimento do sistema imunológico e maior vulnerabilidade à depressão e à ansiedade.
Um estudo publicado no European Journal of Preventive Cardiology¹ mostrou que pessoas com insônia crônica têm risco significativamente maior de desenvolver doenças cardíacas ao longo da vida.
Estratégias para melhorar o sono
Antes de recorrer a medicamentos, mudanças de hábito fazem diferença real. A higiene do sono reúne práticas que preparam o corpo e a mente para o descanso:
- Manter horários fixos para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;
- Evitar telas pelo menos uma hora antes de deitar;
- Deixar o quarto escuro, silencioso e fresco;
- Não consumir cafeína após o fim da tarde;
- Evitar refeições pesadas à noite;
- Praticar atividade física regularmente, mas não próximo ao horário de dormir.
A melatonina, hormônio que regula o ciclo circadiano, pode ser usada pontualmente para ajudar na adaptação a novos fusos ou rotinas. No entanto, seu uso deve ser orientado por um profissional de saúde.
Tratamento médico e uso de medicamentos
Se as estratégias comportamentais não forem suficientes, o médico pode indicar a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), considerada o tratamento mais eficaz a longo prazo.
O uso de sedativos e remédios para dormir pode ser necessário em alguns casos, mas deve ser feito com cautela e por tempo limitado, dado o risco de dependência medicamentosa e efeitos como a sonolência diurna prolongada.
Evite a automedicação, pois ela pode ser prejudicial à saúde e procure a orientação médica sempre. E lembre-se antes de usar qualquer medicamento, leia a bula. As bulas digitais de Sara estão disponíveis para consulta rápida e acessível, com informação sempre atualizada.
Referência
1. European Journal of Preventive Cardiology: https://academic.oup.com/eurjpc/article-abstract/21/1/57/5925953?redirectedFrom=fulltext&login=false
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