
De repente, a respiração, antes automática, passa a exigir esforço, a tosse seca insiste em aparecer e o desconforto no peito já não parece algo passageiro. O derrame pleural não é uma doença isolada, mas um sinal de que algo no organismo precisa de atenção.
Ele afeta diretamente a expansão dos pulmões e pode se tornar sério quando não tratado a tempo. Neste artigo, você vai entender quais as causas, sintomas que merecem alerta e as opções de diagnóstico e tratamento disponíveis.
O derrame pleural ou água na pleura é uma condição médica que acontece devido ao excesso de líquido que se acumula entre as duas finas camadas de tecido, que é conhecida como pleura (visceral e parietal) e reveste tanto o pulmão quanto a parede do tórax.
As duas camadas têm um pequeno espaço entre elas chamado cavidade pleural, que é preenchida com uma pequena quantidade de líquido que ajuda a manter as camadas juntas enquanto você respira e inspira.
Quando há acúmulo anormal de líquido entre as pleuras, as membranas que revestem o pulmão, o órgão perde espaço para expandir. Isso gera desconfortos e sintomas bem característicos, como:
Diferentes condições podem gerar o acúmulo de líquido no espaço pleural, as mais comuns incluem:
As sequelas dependem da causa, do tempo até o tratamento e da quantidade de água no pulmão. Quando tratado com rapidez, muitas pessoas não apresentam danos permanentes.
No entanto, casos mais longos ou associados a infecções podem deixar cicatrizes na pleura, reduzindo a elasticidade e a capacidade de expansão do pulmão. Tal condição leva a falta de ar persistente, dor torácica residual ou limitação para atividades físicas.
Em situações em que o líquido evolui para empiema, há o espessamento pleural, o que reduz a função pulmonar a longo prazo.
Além disso, quando o derrame é devido a doenças crônicas, como insuficiência cardíaca ou câncer, uma parte das “sequelas” está relacionada à condição de base, que pode continuar gerando desconfortos respiratórios e necessidade de acompanhamento contínuo.
O derrame pleural ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção e a reabsorção do líquido que existe naturalmente entre as pleuras.
Esse desequilíbrio surge por inflamação, aumento de pressão nos vasos sanguíneos, alterações nos níveis de proteínas do sangue, obstrução linfática ou acúmulo de líquido por doenças sistêmicas.
Como relatado anteriormente, as principais causas de derrame pleural são insuficiência cardíaca congestiva, infecções, câncer, doenças hepáticas, doenças renais, embolia pulmonar, doenças autoimunes, traumas no tórax ou pós-cirurgias.
O diagnóstico combina avaliação clínica, exames de imagem e, quando necessário, análise do próprio líquido pleural. Em geral, o processo ocorre assim:
O médico começa pelos sintomas (falta de ar, dor no peito, tosse) e pelo exame físico. Na ausculta, é comum perceber sons respiratórios e vibrações torácicas reduzidas no lado afetado.
O raio-x de tórax costuma ser o primeiro exame e geralmente já mostra o acúmulo de líquido. Já o ultrassom de tórax confirma a presença do derrame, medindo seu volume e orientando procedimentos.
Ainda existe a tomografia computadorizada (TC) que é usada quando é preciso detalhar melhor a causa do derrame ou avaliar complicações.
Quando há indicação, o médico retira uma amostra do líquido por uma agulha fina. Esse exame é essencial para investigar a causa da condição.
A amostra é examinada para avaliar cor, proteínas, glicose, pH, células, presença de bactérias, fungos, tuberculose ou células malignas.
Dependendo da suspeita, podem ser incluídos exames de sangue, testes para infecções, ecocardiograma (para causas cardíacas) e outros.
O tratamento do quadro varia conforme o paciente, podendo ter mais de uma opção associada para a obtenção de melhor resultado.
Diferentes medicamentos podem ser usados para tratar o derrame pleural, dependendo da causa subjacente. Estes podem incluir antibióticos para tratar infecções, diuréticos para remover o excesso de líquido, analgésicos para aliviar a dor, entre outros.
Em casos específicos, como derrame pleural maligno, podem ser usados corticoides ou até medicamentos oncológicos direcionados para controlar a doença de base.
Em alguns casos, é necessário drenar o excesso de líquido da cavidade pleural. Isso é feito por meio de um procedimento chamado toracocentese. Se o líquido continuar a se acumular, pode ser necessário instalar um tubo de drenagem para remover continuamente o líquido.
Em derrames recorrentes, é possível utilizar cateter pleural de longa permanência, permitindo drenagem domiciliar e melhor controle dos sintomas.
Se os outros métodos de tratamento não forem bem-sucedidos, pode ser necessário recorrer à cirurgia para tratar a causa do derrame pleural, remover o excesso de líquido ou prevenir futuras acumulações de líquido.
Dependendo do caso, são realizadas técnicas como decorticação pleural (remoção de tecido cicatricial) e videotoracoscopia para tratar infecções mais complexas.
Quando o derrame é recorrente, especialmente em casos malignos, é feita a pleurodese, um procedimento que “cola” as duas pleuras, impedindo que o líquido se acumule novamente.
Existem duas formas de fazer esse procedimento. A primeira é pela forma química (com substâncias como talco estéril) e a segunda via videotoracoscopia. Ambos são tratamentos focados em qualidade de vida e prevenção de novas internações.
Além de intervir diretamente no derrame, tratar a causa subjacente ajuda a evitar recorrências. Isso inclui manejo adequado da insuficiência cardíaca com ajuste de medicações, tratamento da tuberculose, controle de doenças autoimunes, terapia oncológica quando há neoplasia e correção de distúrbios hepáticos ou renais.
Como visto, o derrame pleural pode ser muito grave se não tratado da forma certa e no tempo adequado. Embora pequenas quantidades de líquido não costumam causar problemas, quantidades maiores podem pressionar o pulmão e tornar a respiração difícil.
Além disso, as doenças subjacentes que causam o derrame pleural também indicam condições que merecem atenção, até porque podem revelar problemas graves.
Lembre-se da importância de procurar ajuda médica, especialmente do pneumologista, caso os sintomas persistam e seguir as orientações corretas para o tratamento.
Caso precise fazer uso de remédios é importante sempre seguir as orientações médicas e nunca se automedicar, pois pode levar ao agravamento do quadro. E para obter informações confiáveis sobre medicamentos, acesse a nossa página de bulas digitais.
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