
Um desconforto pélvico que vai e volta, mudanças no corrimento vaginal, dor durante a relação sexual ou um mal-estar difícil de explicar podem parecer pouco relevantes quando observados isoladamente, mas ganham outro significado quando persistem ao longo do tempo.
A condição conhecida como doença inflamatória pélvica (DIP) está relacionada a uma infecção ginecológica que atinge órgãos do sistema reprodutor feminino, como o útero, as trompas e, em alguns casos, os ovários. O processo inflamatório pode se espalhar gradualmente por essas estruturas, especialmente quando a infecção inicial não é identificada ou tratada de forma adequada.
À medida que a DIP evolui, o corpo passa a dar sinais mais claros de que algo não está funcionando como deveria. A dor pélvica tende a se tornar mais frequente, podem ocorrer sangramentos irregulares, febre ou piora do desconforto após relações sexuais. Em alguns casos, a infecção permanece silenciosa por um período prolongado, aumentando o risco de complicações que só se tornam evidentes mais tarde.
A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior que afeta órgãos do sistema reprodutor feminino, como útero, trompas e, em alguns casos, os ovários.
Ela ocorre quando microrganismos responsáveis por infecções ginecológicas conseguem ultrapassar as barreiras naturais do corpo e ascender para regiões internas, iniciando um processo de inflamação pélvica.
Na prática, isso significa que uma infecção que começa de forma localizada pode se espalhar gradualmente, mesmo sem provocar sintomas intensos no início. Por essa razão, a DIP nem sempre é percebida de imediato, o que contribui para atrasos no diagnóstico e no tratamento.
A inflamação pélvica pode ser perigosa quando não diagnosticada e tratada precocemente, porque o processo inflamatório pode causar danos progressivos aos tecidos do sistema reprodutor.
Com o tempo, essa inflamação pode levar à formação de aderências, alterações nas trompas e comprometimento do funcionamento normal dos órgãos afetados. Essas alterações aumentam o risco de complicações como dor pélvica crônica, gravidez ectópica e dificuldades relacionadas à fertilidade.
O risco, no entanto, não é igual em todos os casos: ele depende do agente infeccioso envolvido, da intensidade da infecção e, principalmente, do tempo de evolução antes do início do tratamento.
A doença inflamatória pélvica está, na maioria dos casos, associada à presença de infecções bacterianas que afetam inicialmente o trato genital inferior e conseguem ascender para estruturas mais profundas do sistema reprodutor feminino.
Ela pode se desenvolver a partir de diferentes tipos de infecção, dependendo do agente envolvido e da forma como a infecção inicial progride no sistema reprodutor feminino. De maneira geral, os principais tipos relacionados à DIP incluem:
As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são as mais frequentemente associadas à DIP, especialmente aquelas causadas por clamídia e gonorreia. Esses agentes podem provocar infecções iniciais com poucos ou nenhum sintoma, o que favorece sua progressão silenciosa. Quando não tratadas, as bactérias conseguem ascender da vagina e do colo do útero para o útero e as trompas, iniciando o processo inflamatório característico da doença.
As infecções bacterianas da flora vaginal também podem estar envolvidas no desenvolvimento da doença inflamatória pélvica, sobretudo quando há desequilíbrios locais que facilitam a proliferação de micro-organismos. Embora essas bactérias façam parte do ambiente vaginal, em determinadas condições elas podem ultrapassar as barreiras naturais do organismo e atingir estruturas mais profundas, contribuindo para a inflamação pélvica.
Já as infecções associadas a procedimentos ginecológicos ocorrem quando há uma infecção pré-existente no trato genital inferior e algum procedimento facilita a entrada ou a ascensão de microorganismos. Situações como inserção de dispositivos intrauterinos, exames invasivos ou intervenções realizadas sem que uma infecção ativa tenha sido previamente tratada podem atuar como fatores facilitadores, sem serem, por si só, a causa direta da doença.
Os sintomas da doença inflamatória pélvica (DIP) podem variar bastante de intensidade e nem sempre surgem de forma evidente no início. Em muitos casos, os sinais aparecem de maneira gradual, o que dificulta a associação imediata com uma infecção no sistema reprodutor feminino.
Ainda assim, alguns sintomas são recorrentes e ajudam a levantar a suspeita clínica quando persistem ou se intensificam. Entre os sinais mais comuns estão:
Após essa fase inicial, a DIP pode evoluir com agravamento dos sintomas. A dor pélvica tende a se tornar mais frequente e intensa, podendo persistir mesmo fora de crises agudas.
Em alguns casos, a inflamação prolongada contribui para o desenvolvimento de dor pélvica crônica, que impacta diretamente a qualidade de vida e pode permanecer mesmo após o tratamento da infecção.
Os fatores de risco para a doença inflamatória pélvica estão relacionados, principalmente, à maior chance de exposição e progressão de infecções ginecológicas. O principal deles é o histórico de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), especialmente quando não tratadas de forma adequada ou quando o tratamento é interrompido precocemente.
Outros fatores incluem episódios prévios de DIP, múltiplos parceiros sexuais sem proteção adequada, atraso no diagnóstico de infecções genitais e situações em que procedimentos ginecológicos são realizados na presença de uma infecção ativa.
O diagnóstico da doença inflamatória pélvica (DIP) é feito a partir da combinação entre a avaliação clínica e os achados de exames, já que não existe um único teste capaz de confirmar o quadro de forma isolada.
A investigação começa pela escuta atenta dos sintomas, como dor pélvica, alterações no corrimento vaginal, febre ou sangramento irregular, além da análise do histórico ginecológico e sexual.
Durante a consulta, o exame físico pode identificar sensibilidade na região pélvica ou sinais de inflamação. A partir daí, exames laboratoriais ajudam a investigar a presença de infecção, enquanto exames de imagem, como a ultrassonografia, podem ser utilizados para avaliar o estado do útero, das trompas e dos ovários, especialmente quando há suspeita de complicações.
O tratamento da doença inflamatória pélvica envolve o uso de antibióticos, escolhidos de acordo com os agentes mais frequentemente associados à DIP e ajustados conforme a avaliação médica.
Mesmo quando os sintomas melhoram nos primeiros dias, é importante completar o esquema terapêutico. A interrupção precoce dos medicamentos pode permitir que a infecção persista de forma silenciosa, aumentando o risco de recorrência e de complicações futuras.
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Quando a doença inflamatória pélvica (DIP) não é diagnosticada ou tratada de forma adequada, o processo inflamatório pode causar danos progressivos às estruturas do sistema reprodutor feminino.
A inflamação persistente pode levar à formação de aderências e cicatrizes, especialmente nas trompas, comprometendo seu funcionamento normal. Essas alterações aumentam o risco de infertilidade feminina, já que dificultam ou impedem o encontro do óvulo com o espermatozoide.
Outro desdobramento possível é a gravidez ectópica, situação em que a gestação ocorre fora do útero, geralmente nas trompas, representando um risco à saúde. Além disso, a inflamação prolongada pode resultar em dor pélvica crônica, um quadro que impacta diretamente o bem-estar e pode persistir mesmo após o controle da infecção inicial.
A prevenção da doença inflamatória pélvica está diretamente relacionada à identificação precoce e ao tratamento adequado das infecções ginecológicas, especialmente das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
O acompanhamento regular com profissional de saúde, a atenção a sintomas persistentes e a busca por avaliação diante de alterações como corrimento, dor pélvica ou sangramentos fora do padrão são medidas centrais para reduzir o risco de progressão da infecção.
A prevenção não depende de uma única ação isolada, mas de um conjunto de cuidados contínuos com a saúde reprodutiva ao longo do tempo.Nesse cuidado, a informação tem papel central.
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