Tontura: causas comuns e quando pode ser grave

Tontura é uma sensação de desequilíbrio, fraqueza ou instabilidade que pode ter diferentes causas, desde situações simples até condições que exigem avaliação médica.

Por Redação Sara
14/05/2026 Atualizado há cerca de 2 horas
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Imagem de um homem com tontura enquanto trabalha

A tontura está entre as queixas mais comuns na medicina. Dados de grandes estudos populacionais¹ indicam que ela afeta entre 15% e 20% dos adultos no mundo todos os anos. 

Ela pode ser passageira e sem gravidade, mas também ser sinal de algo que merece atenção. Neste artigo, você vai descobrir o pode ser tontura, como diferenciá-la de outras condições, o que fazer ao senti-la e outros tópicos. 

O que é a tontura e como ela aparece?

A tontura é uma sensação de instabilidade, mal-estar ou desequilíbrio. Ela pode se manifestar como cabeça leve, fraqueza súbita, sensação de "apagamento" iminente ou dificuldade de se manter em pé.

Ela não é uma doença, é um sintoma. E, como todo sintoma, indica que algo no organismo não está funcionando como deveria.

Tontura, vertigem e desmaio: três experiências diferentes

A tontura é a sensação genérica de mal-estar e desequilíbrio, muitas vezes acompanhada de fraqueza.

Já a vertigem é mais específica: a pessoa sente que ela mesma ou o ambiente ao redor está girando. Ela acontece com mais frequência quando há um problema no ouvido interno ou no nervo vestibular, estruturas diretamente ligadas ao equilíbrio, mas também pode ter origem no cérebro, em casos como AVC ou tumores.

Por sua vez, o desmaio é a perda breve de consciência causada pela redução do fluxo de sangue ao cérebro. Pode ser precedido de tontura intensa, palidez e suor frio.

As causas mais comuns

Doenças cardíacas, diabetes, pressão alta ou baixa, desidratação, infecções, estresse e ansiedade estão entre as causas de tontura mais frequentes. 

Problemas no ouvido interno, como a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) e a doença de Ménière, também aparecem com destaque.

O tabagismo, uso excessivo de álcool, obesidade, histórico familiar e condições como diabetes e hipertensão são fatores de risco relevantes para o desenvolvimento da sensação. 

Sobre os tipos de tontura, a literatura médica descreve cinco principais: vertigem (sensação rotatória), pré-síncope (sensação de desmaio), desequilíbrio (dificuldade de andar sem sensação na cabeça), inespecífica (sensação flutuante difusa) e de origem central (ligada ao sistema nervoso).

Tontura frequente: o que o corpo está tentando dizer

Em pacientes idosos, o quadro constante costuma ter mais de uma causa ao mesmo tempo, já que o envelhecimento afeta o ouvido interno, a visão e os mecanismos que regulam a pressão arterial.

Em adultos mais jovens, pode estar ligada à ansiedade. Durante episódios, o sistema nervoso simpático é ativado, aumentando a pressão arterial e a frequência cardíaca, levando ao quadro. 

A hiperventilação e a tensão muscular, que reduzem o oxigênio que chega ao cérebro, também contribuem.

Pressão arterial e tontura: a relação que muita gente não conhece

Tanto a pressão alta quanto a pressão baixa podem causá-la. A pressão elevada pode alterar a circulação no cérebro e no ouvido interno. 

Um estudo mostrou que adultos hipertensos entre 45 e 64 anos relataram episódios frequentes de vertigem, mesmo sem perda auditiva associada².

Já a tontura da pressão baixa costuma aparecer ao se levantar rapidamente. Esse quadro, chamado hipotensão ortostática, ocorre em cerca de 15% a 20% dos idosos e está relacionado à queda abrupta da pressão arterial ao mudar de posição, segundo o Manual MSD.

Medicamentos que provocam tontura

Anti-hipertensivos, ansiolíticos, antibióticos, anti-histamínicos e indutores do sono estão entre os medicamentos que podem ter como efeito colateral. 

Se o sintoma surgiu após o início de algum tratamento, o médico deve ser informado, a medicação nunca deve ser suspensa por conta própria.

O que fazer quando sentir tontura

Alguns cuidados práticos:

  • Sente, deite ou apoie-se em uma superfície segura.
  • Evite movimentos bruscos da cabeça.
  • Beba água, se não houver contraindicação.
  • Afaste-se de escadas, fogões ou qualquer situação de risco.
  • Não dirija nem opere máquinas pesadas enquanto o sintoma durar.

Sinais que pedem atenção imediata

A tontura associada aos sintomas abaixo pode indicar AVC ou outra emergência médica. Na causada por AVC, o quadro costuma surgir de forma súbita e intensa, acompanhado de outros sinais:

  • Perda súbita de fala ou dificuldade para falar.
  • Fraqueza ou dormência em um lado do corpo.
  • Visão dupla ou borrada.
  • Dor de cabeça intensa e repentina.
  • Dificuldade para andar ou perda de coordenação.
  • Desmaio.

Quando procurar o médico

Qualquer tontura que se repita, tenha os sintomas acima ou dure mais de alguns minutos ou piore com o tempo merece avaliação. O diagnóstico pode envolver exame físico, histórico clínico, exames de sangue, testes de equilíbrio e, em alguns casos, ressonância magnética ou tomografia. 

Se você está passando por episódios recorrentes, agende uma consulta e leve um registro detalhado: quando ocorreu, quanto tempo durou e o que estava fazendo no momento. Essa informação facilita muito o diagnóstico.

E lembre-se, em caso de uso de medicamentos não deixe de consultar informações confiáveis, acesse as bulas digitais de Sara.

Referência

1. Neuhauser HK. The epidemiology of dizziness and vertigo. Handb Clin Neurol. 2016;137:67-82. doi: 10.1016/B978-0-444-63437-5.00005-4. PMID: 27638063. Acesso em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27638063/ 

2. MARCHIORI, L. L. M. Queixa de vertigem e hipertensão arterial. Revista CEFAC, v. 9, n. 1, p. 116–121, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rcefac/a/YGmfjjwwJMfv99K4tNmc4hc/?format=html&lang=pt